O QUE PENSAM OS CANDIDATOS A PREFEITO SOBRE A REFORMA POLÍTICA? RESULTADOS DE UM SURVEY NACIONAL EM 2016

Marcio Carlomagno

Resumo


Este artigo apresenta os resultados de um survey online aplicado aos candidatos a prefeito em 2016, sobre temas relacionados à reforma política. Verificamos os posicionamentos sobre as mudanças ocorridas em 2016, os efeitos percebidos sobre a campanha por causa do fim das doações empresariais e as opiniões sobre as pautas propostas para futuras reformas. Após discussão metodológica sobre os limites desta abordagem e ponderações estatísticas, apresentamos as distribuições distinguidas em duas variáveis: por partido político e pela divisão entre políticos profissionais e amadores. Seguindo parcialmente na trilha da pesquisa Shaun Bowler e co-autores, apresentamos duas hipóteses. a) existem congruências entre as preferências das elites partidárias nacionais e das elites partidárias locais; b) políticos profissionais tendem a ser mais propensos pela manutenção das regras que os beneficiam e amadores tendem a ser mais favoráveis às mudanças. Nossa primeira hipótese foi parcialmente negada. Apesar de ser verdadeira para o caso do PT, que apresenta respostas na mesma direção dos posicionamentos públicos da direção nacional do partido – como a adesão à lista fechada – a hipótese foi negada para o caso do PSDB, cujos candidatos não defendem nem o sistema distrital misto nem o parlamentarismo – duas bandeiras deste partido. A segunda hipótese foi confirmada. Políticos profissionais e amadores tendem a avaliar de forma distinta, baseado em seu auto-interesse. Políticos profissionais são mais favoráveis a medidas que dificultam a entrada de novos atores no campo, como a diminuição do tempo de campanha e do tempo de televisão e rádio. A importância do artigo reside na expansão do debate público sobre reforma política no Brasil.


Palavras-chave


reforma política; reforma eleitoral; survey online.

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Revista do Legislativo Paranaense ISSN 2595-6957

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